sexta-feira, 19 de maio de 2017

Bairro joão Eduardo I e II






Os bairros João Eduardo I e II localizam-se entre os bairros: Floresta Sul, Novo Horizonte, Conjunto Castelo Branco, Palheiral, Pista e Bahia Velha. Seu nome é uma homenagem ao líder comunitário João Eduardo do Nascimento, que foi assasinado no dia 18 de fevereiro de 1981, num conflito durante o processo de demarcação e distribuição de lotes de terras.

A formação do bairro João Eduardo I se deu, aproximadamente, entre os anos de 1971 e 1982, sendo que já existiam fazendas e colônias habitadas naquele local, contudo, pode-se afirmar que o grande fluxo ocupacional deste bairro se deu entre 1974 e 1979.

Nessa área, o morador do bairro Bahia, que era monitor da Igreja Católica e também fazia parte dos Direitos Humanos da Diocese, João Eduardo do Nascimento, foi escolhido pelo governador Joaquim Falcão Macedo, através do secretário de Comunicação Elias Mansour, como presidente da comissão demarcadora de lotes. Essa comissão tinha a finalidade de organizar a distribuição dos terrenos. O traçado das ruas foi pensado de forma que a largura de cada quadra fosse de 50 metros, dois terrenos de 25 metros, um de fundo para o outro, tudo devidamente planejado. Dando a cada família o direito de ter apenas um lote medindo 10x25m. A faixa que se inicia a partir da Rua Campo Grande, do lado direito, corresponde ao bairro João Eduardo II, que sofreu uni grande fluxo ocupacional no período de 1979 a 1982.

Essa comissão tinha a finalidade de organizar a distribuição dos terrenos. O traçado das ruas foi pensado de forma que a largura de cada quadra fosse de 50 metros, dois terrenos de 25 metros, um de fundo para o outro, tudo devidamente planejado. Dando a cada família o direito de ter apenas um lote medindo 10x25m. A faixa que se inicia a partir da Rua Campo Grande, do lado direito, corresponde ao bairro João Eduardo II, que sofreu um grande fluxo ocupacional no período de 1979 a 1982.

Com uma extensão aproximada de 372.780m2, o bairro originou-se de unia ocupação nas terras do governo que se destinavam à construção de um estádio de futebol. Segundo o senhor J.A.M: "[o bairro] João Eduardo II era do governo, ele comprou justamente pra fazer um estádio de jogar bola. Essa Campo Grande já era a estrada que ia pro estádio, né, então aí a estrada parou e o estádio não saiu, né". 

Até o ano de 1980, a área que ligava o bairro Bahia à Rua Rio Grande do Sul, no bairro Aeroporto Velho, era formada por um grande matagal, cortado apenas por uma estrada, a atual Rua São Salvador. E por se tratar de um local de difícil acesso, os moradores tinham que atravessar toda aquela extensão antes de pegar o ônibus para se deslocarem à escola e ao trabalho. Além disso, ainda enfrentavam outro grande problema, eram constantemente importunadas por pessoas de má índole que se aproveitavam da situação para causar desordem. Como haviam ocorrido alguns crimes no local, dentre eles, o assassinato de uma moradora do bairro Bahia, chamada Hosana Cordeiro, essas ocorrências causavam medo e revolta nos moradores, que decidiram desmatar a área. Sendo justamente nesse mutirão que surgiu a idéia de se construir casas para as famílias "sem teto". 

A partir desse momento, houve no local uma enorme procura de terras para habitar por pessoas de todas as partes, vindas da zona rural e também pessoas que moravam de aluguel, oriundas de outros bairros. Imediatamente limpavam o terreno e construíam seus barracos. Em cinco meses, aproximadamente, estava ocupada unia área de 2.000 lotes de terra.


Com o desenvolvimento do trabalho de demarcação dos lotes e a tentativa de acabar com a "especulação urbana", cada família deveria adquirir apenas um terreno, o que seria suficiente para atender a toda a família. Começou a haver alguns desentendimentos entre a comissão e alguns moradores do bairro Bahia Nova. E mesmo sob ameaças, a comissão realizou essa atividade, até que no dia 18 de fevereiro de 1981, João Eduardo foi assassinado com um tiro de espingarda calibre 20, atingindo seu peito. 

 O lavrador Francisco Nogueira Leite, conhecido por "Ventinha", assassinou o líder comunitário João Eduardo. Este fato causou muito tumulto no funeral do líder comunitário. Os moradores dos bairros mais próximos organizaram uma passeata corno protesto contra o homicídio. Essa passeata realizou-se no dia 18 de março de 1981  quando completava um mês da morte do líder João Eduardo. A passeata iniciou na Assembléia Legislativa e dirigiu-se até a entrada do bairro Bahia Nova, onde os manifestantes pregaram uma placa dando o nome do João Eduardo ao bairro que ele ajudara a fundar. 

João Eduardo juntamente com o Padre Pacífico, Francisca Marinheiro, Nilson Mourào, Dom Moacyr, Padre Asfury, dentre outros, foram pessoas que sempre clamaram em defesa do direito à moradia e melhores condições de vida da população mais carente.

 No contexto da Administração do Prefeito Flaviano Melo, no início da década de 1980 fazia-se necessário organizar as Associações de Bairros para que pudessem participar dos programas que a Prefeitura desenvolvia. Então foi fundada a Associação de Moradores do Bairro João Eduardo e registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas em 08 de julho de 1983 e a Associação de Moradores do Bairro João Eduardo II foi fundada em 22 de julho de 1984 e registrada em 17 de setembro de 1984 que também se registrou com o objetivo de participar do programa de entrega de tíquetes de leite. 

A Associação de Moradores do bairro João Eduardo I concebe o nome do bairro como algo justo e honroso por se tratar de uma homenagem a um simples, mas importante cidadão no processo de criação do bairro. Já a Associação de Moradores do bairro João Eduardo II, apesar do respeito e admiração por João Eduardo do Nascimento, já realizou várias assembléias com o objetivo de mudar o nome do bairro, que foi passado para Senador Adalberto Sena, em 28 de abril de 1985, alguns dias depois, tornou a se chamarJoão Eduardo II. 

É importante acrescentar que, atualmente, existe uma área de terra limítrofe ao bairro Floresta Sul, que está sendo ocupada por moradores oriundos do João Eduardo II e Bahia, a essa localidade atualmente estão chamando de João Eduardo III, embora não haja reconhecimento da prefeitura para tal ato. 


Fonte: Habitante e Habitat
Reginâmio Bonfácio de lima
Mª Iracilda Gomes Cavalcante Bonifácio

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